A chefe do governo italiano, Giorgia Meloni, expressou este sábado a “viva indignação do Governo italiano e de toda a Itália” na sequência da libertação, na sexta-feira, do proprietário francês do bar de Crans-Montana, envolvido no processo judicial relacionado com o incêndio que vitimou mortalmente 40 pessoas, entre as quais uma jovem portuguesa, na noite de Ano Novo.
Segundo um comunicado oficial dos serviços de Giorgia Meloni, a primeira-ministra italiana e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, deram instruções ao embaixador de Itália na Suíça para que entrasse imediatamente em contacto com a procuradora-geral do cantão do Valais, Béatrice Pilloud, com o objetivo de transmitir formalmente a indignação de Roma face à decisão da justiça suíça.
Ainda de acordo com o mesmo comunicado, o Governo italiano decidiu chamar o seu embaixador em Berna para consultas, a fim de “definir as medidas adicionais a adotar” na sequência desta decisão judicial.
O incêndio causou a morte de seis jovens italianos, tendo mais de uma dezena ficado gravemente feridos. Giorgia Meloni e Antonio Tajani sublinham igualmente o que classificam como a “gravidade extrema do crime” de que Jacques Moretti é suspeito, apontando para “pesadas responsabilidades”, bem como para a existência de um risco persistente de fuga e de um risco evidente de nova alteração de provas.
“Esta decisão representa uma grave ofensa e uma nova ferida infligida às famílias das vítimas da tragédia de Crans-Montana, bem como àqueles que ainda se encontram hospitalizados”, acrescenta o comunicado.
“As autoridades italianas afirmam que toda a Itália exige verdade e justiça, apelando a que, na sequência desta catástrofe, sejam tomadas decisões que respeitem plenamente o sofrimento e as legítimas expectativas das famílias das vítimas”, conclui a nota oficial.
