Na sequência do incêndio trágico ocorrido na noite de Ano Novo, a 1 de Janeiro, no bar Le Constellation, em Crans-Montana, na Suíça, que provocou 40 mortos e 116 feridos, vários países europeus activaram mecanismos judiciais e de apoio às vítimas, devido ao elevado número de cidadãos estrangeiros afectados.
Em França, o Ministério Público de Paris abriu uma chamada “investigação espelho” com o objectivo de acompanhar as famílias francesas das vítimas e facilitar a cooperação com as autoridades suíças. O incêndio causou nove mortos e 23 feridos franceses. Segundo a procuradora da República de Paris, este tipo de procedimento é habitual em grandes tragédias internacionais e não tem como finalidade a realização de um julgamento em França, mas sim servir de ponto de contacto para as famílias e actuar como interlocutor eficaz junto da justiça suíça.
Em Itália, o Ministério Público de Roma instaurou uma investigação por incêndio e homicídio involuntário, após a confirmação da morte de seis cidadãos italianos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano comunicou oficialmente os factos às autoridades judiciais, estando a investigação a decorrer com grande discrição e em articulação com as forças de segurança.
Na Bélgica, o Ministério Público do Brabante Valão abriu um processo judicial em concertação com o Ministério Público Federal. A iniciativa visa sobretudo garantir o apoio às vítimas e às famílias belgas, através dos serviços da Casa da Justiça de Nivelles, bem como assegurar a cooperação com as autoridades suíças. A justiça belga mostrou-se igualmente disponível para realizar diligências de investigação no seu território. Entre as vítimas mortais encontra-se uma estudante belga do ensino secundário.
Em contraste, em Portugal não foi ainda anunciada qualquer iniciativa judicial ou de acompanhamento oficial, apesar de haver duas cidadãs portuguesas entre as vítimas: uma vítima mortal e uma pessoa ferida no incêndio. Até ao momento, não são conhecidas medidas específicas por parte das autoridades portuguesas para apoiar as famílias ou para cooperar judicialmente com a investigação em curso.
