Perante o calor extremo que atinge a região e que deverá prolongar-se até domingo, as autoridades de Genebra anunciaram a suspensão dos trabalhos no exterior durante as horas mais quentes do dia. A decisão é da responsabilidade do Serviço Cantonal de Inspeção e das Relações de Trabalho (OCIRT), que aplica uma diretiva destinada a proteger a saúde dos trabalhadores nos dias de forte calor. Enquanto durar este episódio, os trabalhos ao ar livre devem ser interrompidos a partir das 13h00.
Na prática, os trabalhos considerados mais penosos — como obras em telhados, aplicação de asfalto ou utilização de martelo pneumático — são os primeiros a ser interrompidos, seguindo-se as restantes tarefas pesadas, consoante o nível de risco e a hora do dia.
A medida tem especial impacto no setor da construção civil, um dos que mais emprega a comunidade portuguesa no cantão. Os sindicatos, que há anos reivindicavam este tipo de proteção, saúdam estas regras, sublinhando que o trabalho ao ar livre com temperaturas próximas dos 40 graus representa um risco real para a saúde. De acordo com a SUVA, os acidentes de trabalho aumentam cerca de 7% nos dias em que a temperatura ultrapassa os 30 graus.
O calor desta semana tem batido recordes na região. Em Genebra, os termómetros chegaram aos 36 graus na terça-feira, um valor inédito para um dia 23 de junho. As consequências fizeram-se sentir também nos transportes: cerca de quarenta veículos dos Transportes Públicos de Genebra (TPG) tiveram de ficar na garagem na quarta-feira, devido a avarias provocadas pelas altas temperaturas.
As autoridades recordam as recomendações habituais para os períodos de calor intenso: beber água com regularidade, proteger-se do sol nas horas de maior calor, vigiar as pessoas mais vulneráveis e, sempre que possível, adaptar ou reorganizar os horários de trabalho. Para o trabalho no exterior, o OCIRT disponibiliza ainda uma aplicação (MeteoAtWork) que permite avaliar o risco térmico hora a hora e indica as medidas de proteção recomendadas.
