Uma sessão informativa dedicada aos acidentes de trabalho na Suíça e à proteção laboral, realizada no dia 23 de maio, na Casa do Benfica de Genebra, terminou com críticas por parte de vários participantes relativamente à forma como o encontro decorreu. O evento, de entrada livre, foi apresentado como um espaço de esclarecimento sobre prevenção, direitos e normas de segurança em vigor no país, com especial enfoque em setores de maior risco, como a construção civil.

A sessão, marcada para as 15h00, foi moderada pela Cônsul-Geral de Portugal em Genebra, Maria Leonor Penalva Esteves, e contou no painel com representantes da SUVA, da UNIA e uma médica. Segundo relatos de participantes recolhidos e divulgados pela Revista Repórter X, terá sido inicialmente pedido aos presentes que não gravassem o encontro, decisão que alguns questionaram por considerarem que os temas abordados eram de interesse público e que a sua divulgação poderia ajudar outros portugueses impossibilitados de se deslocar, nomeadamente lesados da SUVA com dificuldades financeiras.

Entre os presentes encontrava-se João Carlos Quelhas, da Revista Repórter X, acompanhado, segundo afirma, por um grupo de pessoas vindas de vários cantões suíços. De acordo com o seu testemunho, alguns participantes terão feito deslocações de várias horas para estarem presentes, entre eles lesados da SUVA e famílias com processos relacionados com a KESB, na sequência da redução de rendimentos após acidentes de trabalho.

Na sua intervenção, Quelhas defendeu que os lesados da SUVA e as famílias confrontadas com processos da KESB devem ter voz própria nos debates públicos relacionados com a comunidade portuguesa na Suíça. Levantou ainda questões sobre a representação institucional, afirmando que alguns deputados eleitos pelo círculo da Europa não são envolvidos em determinados encontros, e interrogou-se sobre a proximidade entre as estruturas diplomáticas e os problemas concretos enfrentados pelos emigrantes. Defendeu também que iniciativas desta natureza deveriam decorrer em espaços institucionais, como a Embaixada, os consulados, a UNIA ou a própria SUVA.

Vários participantes manifestaram descontentamento relativamente à condução da sessão, considerando que algumas intervenções foram interrompidas antes de concluídas. Segundo os relatos divulgados pela Repórter X, alguns dos presentes terão abandonado a sala antes do encerramento.

A Revista Repórter X divulgou posteriormente um vídeo do encontro. Nas imagens são visíveis o painel de oradores e alguns dos momentos de tensão referidos pelos participantes. A sessão terminou quando a Cônsul-Geral deu o encontro por encerrado durante a intervenção de um jornalista presente na qualidade de ouvinte.

Apesar das reservas relativamente à moderação do debate, vários participantes reconheceram que as explicações prestadas pela SUVA foram úteis e destacaram igualmente as intervenções do representante da UNIA e da médica presente, que procuraram responder às questões colocadas pelo público.

Intervenção da Revista Repórter X no final da sessão :
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Foto: Consulado-Geral de Portugal em Genebra