Pesadelo de uma família portuguesa no tribunal

Acusado de impor regras insustentáveis para a sua esposa e filha, um português da região de Sierre foi julgado, outra vez esta terça-feira, pelo Tribunal do Cantão do Valais a pedido do acusado e do Ministério público.

Condenado a seis anos de prisão pelo Tribunal de Sierre no início de 2017, por lesões corporais, colocanto em perigo de vida as vitímas, ameaças, atos sexuais com uma criança, coerção sexual, o Ministério público requer, como no primeiro julgamento, uma pena de prisão de oito anos. A defesa do emigrante exige a absolvição do processo.

O homem maltratava e fazia viver um verdadeiro inferno a quem não obedecia às suas ordens. Para sua esposa, era quase diário espancamentos, insultos e humilhação, para não mencionar as ameaças de morte e coerção sexual. Para a sua filha, então com idade entre os 13 e os 16 anos, ele foi acusado de agressões, insultos e actos sexuais.

Segundo a acusação, o marido controlava o telefone da sua esposa não a deixar falar com ninguém sem a sua presença, controlava os recibos de compras e das, deslocações inspecionava a bolsa da mulher, confiscava o salário dela e escolhia as roupas para a sua esposa.

Para economisar dinheiro, o português impedia a sua esposa de tomar a medicação contra os diabetes, pedindo-lhe para simplesmente fazer uma dieta. O que causou a sua hospitalização em 2012.

A filha do casal também foi alvo do comportamento do homem. Ela tinha que seguir regras estritas, como também não podia chorar ou estar triste em público. Isso não o impediu de lhe puxar os cabelos ou partir pratos em cima da cabeça da filha.

O advogado da esposa, Me Guerin de Werra fala em “descida ao inferno” desta família e “enormes danos à saúde” de seu cliente. Emmanuelle Raboud do Ministério público fala em “crimes extremamente graves”. Os sinais de violência doméstica multiplicaram-se desde 2008.

Cada vez, o emigrante conseguia recuperar a sua esposa e filha, nomeadamente quando elas fugiram para Portugal. Nas autoridades, as denúncias e retrações multiplicaram-se.

Denunciado pela filha em 2011, o pai teria forçado a escrever às autoridades para parar o queixa penal, obtendo a extinção do processo.

A advogada da filha, Me Carole Seppey, sublinhou que a sua cliente tinha denunciado os seus problemas aos professores e autoridades da proteção à criança. “Nenhuma autoridade foi capaz de proteger a minha cliente estes anos”.

Finalmente, só em 2013 que o homem foi preso.

Ele reconheceu o seu caráter por vezes sevéro mas nega qualquer acto sexual com a filha, dizendo que só queria verificar se ela ainda era virgem. A vítima até disse ter tido os pulsos amarrados à cama.

O homem também nega qualquer obrigação a sua esposa. “Tudo o que fizemos em 33 anos com a minha esposa, foi com o seu acordo,” disse o acusado perante o Tribunal do Valais.

Ele também nega ter ameaçado lançar a esposa pela janela e a mutilar, apenas reconheceu palavras infelizes. “Mas eu nunca quis prejudicar um dos meus familiares.”

O advogado do emigrante, Me Michael De Palma, reconhece o caráter “irascível” do cliente, mas nega qualquer coerção sexual na mulher e atos sexuais sobre a filha e pediu que ele seja liberado. “Não há nada para confirmar as reivindicações. A mulher apresentou uma queixa vários meses depois da ida para a prisão do seu marido. A filha nunca tornou público os problemas sexuais com o seu pai. A mãe, que dormia no mesmo quarto nunca viu ou ouviu qualquer coisa. “

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A filha do acusado, que na altura dos factos nem sequer lhe era permitido olhar para o pai nos olhos, decidiu estar presente no julgamento. Desta vez, a rapariga de maior idade foi capaz de suportar o olhar do seu pai segurando a mão da sua mãe visivelmente muito afetada.

O Tribunal, presidido pelo o juiz Stéphane Spahr, ainda não entregou o seu veredicto…

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