Cerca de quarenta mortos e aproximadamente 115 feridos, a maioria em estado grave. É este o mais recente e terrível balanço da tragédia ocorrida na noite passada em Crans-Montana, durante o incêndio que devastou o bar Le Constellation. Os números foram comunicados durante uma segunda conferência de imprensa, iniciada esta quinta-feira às 17h15, pelo comandante da polícia cantonal do Valais, Frédéric Gisler. Foi ainda especificado que as vítimas são maioritariamente jovens, algumas muito jovens.
Frédéric Gisler acrescentou que a prioridade, nas próximas horas e dias, é identificar as vítimas mortais, «para que os seus corpos possam ser entregues rapidamente às famílias». Como o bar era frequentado por muitos turistas, o comandante salientou que é expectável a existência de vítimas de nacionalidade estrangeira, sem contudo avançar números.
Pouco antes da conferência de imprensa, o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, tinha anunciado um balanço de 47 mortos.
As autoridades do Valais reuniram-se desta vez em Sion para fazer o ponto da situação sobre a tragédia. Para além do presidente da Confederação, Guy Parmelin, presente em representação do país, estiveram também os conselheiros de Estado do Valais Mathias Reynard e Stéphane Ganzer, a procuradora-geral Béatrice Pilloud, o recém-nomeado comandante da polícia cantonal Frédéric Gisler e o presidente de Crans-Montana, Nicolas Féraud.
«A vossa dor é a nossa dor»
«As circunstâncias que hoje nos reúnem são dramáticas. Trata-se de uma das piores tragédias que o país conheceu», declarou Guy Parmelin, apresentando as suas condolências às famílias e prometendo o apoio de todo o país. «Digo-o com gravidade e sinceridade: a vossa dor é a nossa dor», acrescentou o conselheiro federal, dirigindo-se às famílias enlutadas.
«No meio desta violência inaudita, existe uma grande solidariedade, uma pequena luz», afirmou de seguida Mathias Reynard, prestando homenagem aos socorristas e apresentando igualmente as suas condolências aos familiares das vítimas.
«O Valais vai manter-se de pé, fiel aos seus valores», sublinhou o outro conselheiro de Estado presente, Stéphane Ganzer. «Assistimos a comportamentos heroicos que enchem o Valais de orgulho.»
A procuradora Béatrice Pilloud recordou que, de acordo com os primeiros elementos da investigação, a tragédia se deveu a um «incêndio generalizado» no interior do estabelecimento, que provocou uma explosão.
«Velas festivas» na origem do incêndio?
Segundo vários testemunhos, o incêndio terá sido provocado por «velas festivas» colocadas em garrafas de champanhe e transportadas por funcionários demasiado perto do teto do piso inferior do bar. Questionada sobre esta hipótese, a procuradora indicou que não podia confirmá-la nesta fase. A investigação deverá apurá-la.
No total, a tragédia mobilizou cerca de 30 agentes da polícia, 60 inspetores, 70 bombeiros, bem como perto de 150 profissionais de saúde, apoiados por 42 ambulâncias e 13 helicópteros, detalhou o Estado do Valais num comunicado.
Cerca de sessenta vítimas foram assistidas pelo Hospital do Valais. Outras foram transferidas para o CHUV ou para os HUG, bem como para hospitais em Berna ou Zurique. Muitas apresentam queimaduras graves.
As autoridades recordam ainda que, segundo os primeiros elementos da investigação, a hipótese de um atentado foi afastada.
Várias testemunhas relataram cenas insuportáveis, com os estragos causados pelo fogo e pessoas a tentarem sair do bar no momento em que este se incendiou. «Era como uma zona de guerra. Nunca tinha visto nada assim», comentou o comandante Frédéric Gisler aos microfones da RTS, ao descrever o que presenciou no local.
O cantão do Valais decretou a «situação particular», permitindo mobilizar rapidamente e durante vários dias «todos os meios necessários para a gestão deste trágico acontecimento».
A polícia cantonal do Valais criou uma linha de apoio destinada às famílias, aos feridos e às testemunhas: 0848 112 117.
