As transferências enviadas pelos emigrantes portugueses voltaram a crescer em 2025, alcançando um novo máximo histórico. De acordo com dados divulgados pelo Banco de Portugal e consultados pela agência Lusa, os trabalhadores portugueses no estrangeiro enviaram para Portugal 4.387,67 milhões de euros no último ano, o que representa um aumento de 2,14% face aos 4.295,72 milhões registados em 2024.
Este crescimento consolida a tendência de subida verificada nos últimos anos e confirma o papel estrutural das comunidades portuguesas no exterior no equilíbrio das contas externas nacionais.
Ao contrário do que sucedera em 2024, foi a comunidade portuguesa residente em França que mais contribuiu para o total das remessas. Os emigrantes naquele país enviaram 1.211,5 milhões de euros para Portugal, superando os 1.122,9 milhões provenientes da Suíça, que no ano anterior liderava esta tabela.
A inversão reflete oscilações conjunturais nas economias de acolhimento e eventuais alterações nos fluxos migratórios, mas confirma a relevância contínua destes dois destinos históricos da emigração portuguesa.
Também os trabalhadores portugueses nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) reforçaram os montantes enviados. No conjunto, as remessas ascenderam a 282,99 milhões de euros, um aumento de 4,34% face aos 271,21 milhões de 2024.
Dentro deste grupo, Angola continua a representar a quase totalidade das transferências. Os emigrantes portugueses naquele país enviaram 274 milhões de euros, mais 4% do que os 263,4 milhões registados no ano anterior.
Em sentido inverso, os imigrantes a trabalhar em Portugal transferiram 915,64 milhões de euros para os seus países de origem em 2025. Este valor traduz uma subida de 4,93% face aos 872,61 milhões enviados em 2024.
Entre as várias comunidades estrangeiras, os trabalhadores brasileiros — a maior comunidade imigrante no país — enviaram 341,4 milhões de euros no último ano. Contudo, este valor representa uma diminuição de 6,77% comparativamente aos 366,19 milhões registados em 2024. A descida confirma a tendência iniciada nesse ano, quando já se tinha verificado uma quebra de 1,48% face aos 371,70 milhões transferidos em 2023.
Em contraciclo, os trabalhadores asiáticos continuam a aumentar de forma expressiva o volume de remessas. Em 2025, enviaram 209,9 milhões de euros, mais 20% do que os 174 milhões registados em 2024.
A evolução é ainda mais significativa quando analisada numa perspetiva mais alargada: desde 2020, as transferências deste grupo cresceram 169,3%, passando de 69,07 milhões de euros para os atuais 209,9 milhões. Este aumento acompanha o crescimento do número de residentes oriundos de países asiáticos em Portugal nos últimos anos.
Os dados agora divulgados evidenciam duas realidades complementares: por um lado, a importância económica das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo; por outro, o impacto crescente das populações imigrantes na economia nacional.
As remessas continuam a ser um indicador relevante da ligação entre Portugal e a sua diáspora, bem como da integração económica dos trabalhadores estrangeiros no país. Num contexto de mobilidade internacional crescente, estes fluxos financeiros assumem um papel cada vez mais significativo nas relações económicas entre Portugal e o exterior.
