Reunido ao longo desta semana em sessão extraordinária, o Parlamento contrariou, para já, a proposta do Conselho federal, indicando que a aplicação, que permitirá localizar os contactos de pessoas infetadas pelo novo coronavírus, não poderá ser lançada sem uma base legal.

Fase-piloto

A fase de ensaio, que decorrerá até ao final do mês, será limitada “a um certo tipo de população”, explicou o ministro da Saúde, Alain Berset, na conferência de imprensa desta sexta-feira. Durante esse período o Governo irá aprovar as bases legais necessárias para poder lançar a aplicação, que serão posteriormente submetidas ao Parlamento também até o fim do mês de maio.

Até ao momento, a aplicação já foi testada pela tropa suíça. O Conselheiro federal espera que as duas Câmaras do Parlamento possam aprovar “rapidamente” o processo. “Se o Parlamento disser não, será o fim” da aplicação de rastreamento encriptado, que está a ser desenvolvida pelas Escolas Politécnicas Federais (EPFL e EPFZ) e pela Confederação, acrescentou. Alain Berset apelou também aos “piratas informáticos” para que testem a solidez da aplicação, nomeadamente na questão da proteção de dados.

Se a aplicação, denominada “DP-3T”, for autorizada pelo Parlamento, o seu uso será facultativo e nenhum dado pessoal ou informação de localização dos seus utilizadores será explorada, garantiu o ministro suíço, referindo igualmente, que todos os dados serão sistematicamente apagados ao fim de 21 dias.

Funcionamento

Marcel Salathé, Professor na Escola Politécnica Federal de Lausana (EPFL), explicou como a aplicação irá funcionar: “Esta funcionará através de um protocolo bluetooth que possui parâmetros que permitem avaliar as distâncias. É um modelo descentralizado, o que significa que os dados ficam nos telefones e nada é guardado. Para além disso, tudo é encriptado. O modelo respeita a privacidade das pessoas e é utilizado voluntariamente. Os dados são regularmente apagados e partimos do princípio que tudo será apagado no fim desta epidemia.”