Os cidadãos suíços rejeitaram este domingo a iniciativa popular «Não a uma Suíça com 10 milhões de habitantes», segundo uma projeção do instituto gfs.bern. A proposta, lançada pela União Democrática do Centro (UDC), pretendia limitar a população residente no país a um máximo de 10 milhões de habitantes até 2050, através de medidas destinadas a reduzir a imigração.

Atualmente, a Suíça conta com cerca de 9 milhões de habitantes. O texto submetido a votação previa que o Governo Federal e o Parlamento fossem obrigados a agir assim que a população ultrapassasse os 9,5 milhões de residentes permanentes. Entre as medidas previstas estava a limitação da imigração, considerada pelos promotores da iniciativa como o principal fator de crescimento demográfico.

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Os resultados provisórios mostram uma clara rejeição da proposta na Suíça francófona. No cantão de Genebra, a iniciativa foi recusada por 65,08% dos votantes. No cantão de Vaud, o “não” obteve 61,4% dos votos. Também o Valais rejeitou a proposta, embora por uma margem muito reduzida, com 50,3% dos votos contra. Em Friburgo, a rejeição atingiu 51,7%.

Na Suíça alemã, a situação revelou-se mais favorável aos defensores da iniciativa. O cantão de Zurique aprovou o texto com 53,9% dos votos, enquanto Schwyz registou um apoio ainda mais expressivo, com 62,8%. Lucerna foi uma das exceções na região germanófona, rejeitando a proposta por 51,5%.

A iniciativa defendia que, caso as medidas de controlo da imigração não fossem suficientes para manter a população abaixo do limite definido, a Suíça deveria denunciar determinados tratados internacionais. Entre eles encontrava-se o Acordo de Livre Circulação de Pessoas com a União Europeia, um dos pilares das relações bilaterais entre Berna e Bruxelas.

Os opositores da proposta alertaram durante a campanha para os riscos económicos associados a uma redução significativa da imigração, nomeadamente a escassez de mão de obra em setores essenciais como a saúde, a construção, a hotelaria e os serviços. Argumentaram ainda que uma eventual denúncia dos acordos com a União Europeia poderia ter consequências negativas para a economia suíça e para os cidadãos suíços residentes no estrangeiro.

Embora os resultados definitivos de todos os cantões ainda não estejam disponíveis, a tendência nacional indica que a maioria dos eleitores optou por rejeitar a iniciativa. O resultado demonstra que, apesar das preocupações relacionadas com o crescimento populacional e a pressão sobre as infraestruturas, uma maioria da população continua a considerar a imigração um elemento importante para o desenvolvimento económico e social da Suíça.

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