Morges: Homenagens, incompreensão e solidariedade

Três dias depois da morte de um jovem português de 29 anos em Morges (Vaud), novas informações filtraram. O autor do crime tinha conexões com grupos islâmicos radicais na Suíça. É plausível que tenha sido o primeiro ataque terrorista realizado na Suíça.

A vítima, João A., estava com a sua namorada e nove outros amigos no restaurante de kebabes quando tudo aconteceu. Um homem vestido de preto e com um capuz, que atacou sem qualquer motivo aparente o português e fugiu a correr. Os polícias e as ambulâncias chegaram rapidamente ao local, mas a vítima já tinha perdido muito sangue. A namorada ficou em choque e teve de receber apoio psicológico.

Em declarações ao jornal La Côte, o pai da namorada de João lembrou a exelente pessoa que era o jovem. “É incompreensível. Ele era amado por todos, era uma pessoa saudável que teria dado a sua camisa por outros”. Segundo o homem, “João não gostava de violência e era muito íntegro, ele não tinha inimigos ou problemas com alguém”. O drama tem gerado uma onda de incompreensão na Comunidade portuguesa e também na região de Morges.

Um islamista de 26 anos?

Inicialmente confiado ao Procurador de serviço do Cantão de Vaud, o caso acabou por ser entregado ao Ministério Público da Confederação (MPC). “Um possível motivo terrorista não pode ser excluído. Conhecido do Serviço Federal de Informações desde 2017, o suspeito está envolvido em outros processos criminais”, comunicou o MPC na segunda-feira.

De acordo com vários meios de comunicação social, nomeadamente a SRF, o alegado autor é um islamista suíço de 26 anos, com origem turca, que vive na região de Lausana. Segundo o canal de televisão do serviço público, o homem foi preso na Primavera de 2019 depois de tentar incendiar uma bomba de gasolina na Suíça. A detenção foi prolongada várias vezes. Porém em julho de 2020 foi posto em liberdade. Diz-se também que este homem é mentalmente doente.

Nos últimos dias, um homem com gíria inexplicável, invocando por sua vez Satanás ou o diabo, terá alegadamente incomodado várias pessoas, incluindo alunos em Morges. “Ele tem o olhar de um psicopata. Conheci-o na semana passada na Rue du Sablon. Ele gritou que alguém atrás de mim queria me esfaquear. Quando virei-me, não estava ninguém. Assim que soube do assassinato, pensei neste psicopata”, relatou uma residente de Morges ao jornal 20 Minutes.

Ao que tudo indica, o agressor não conhecia o jovem português. Nos útlimos segundos de vida, João ainda tentou falar para a namorada antes de cair e morrer no local.

Homenagens multiplicam-se

Natural de Vila Meã (Amarante) e antigo estudante do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), João foi homenageado na sua terra natal tal como na Suíça onde vivia há menos de dois anos.

Esta segunda-feira às 20 horas (21 horas na Suíça), o Atlético Clube de Vila Meã prestou uma homenagem ao João. O clube de Amarante deixou ainda uma mensagem ao seu ex-atleta :

“Até sempre João
Obrigado pelo teu percurso cá no clube, pelo teu incondicional apoio, pela pessoa que foste sempre, tranquilo , humilde, educado e acima de tudo amigo do seu amigo .
Iremos sempre entrar em campo contigo no coração e no pensamento, e todas as nossas conquistas serão para ti 🙏”

Até sempre João
Obrigado pelo teu percurso cá no clube, pelo teu incondicional apoio, pela pessoa que foste sempre,…

Publiée par Atlético Clube de Vila Meã sur Lundi 14 septembre 2020

No local do crime, cerca de 150 pessoas estiveram para prestar uma homenagem ao João. Familiares, amigos e colegas de trabalho marcaram presença.

Foto: Sigfredo Haro - Jornal "La Côte"
Foto: Sigfredo Haro – Jornal “La Côte”


O pai e o irmão do João chegaram, ontem, de Portugal e participaram na homenagem em Morges.  Foto: Sigfredo Haro - Jornal "La Côte"
O pai e o irmão do João chegaram ontem de Portugal e participaram na homenagem em Morges.
Foto: Sigfredo Haro – Jornal “La Côte”


Os colegas de trabalho do João também estiveram no local. Foto: Sigfredo Haro - Jornal "La Côte"
Os colegas de trabalho do João também estiveram no local.
Foto: Sigfredo Haro – Jornal “La Côte”

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