O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, alertou esta terça-feira para os novos desafios que a inteligência artificial e a interferência externa representam para a segurança do voto eletrónico, uma solução que poderá facilitar a participação eleitoral dos portugueses residentes no estrangeiro.

O governante falou aos jornalistas em Londres, onde se reuniu com o homólogo britânico, Ed Miliband. Na ocasião, sublinhou que os avanços tecnológicos, apesar de facilitarem o exercício do direito de voto, também levantam questões quanto à fiabilidade dos processos eleitorais.

Publicidade

«Hoje, com a interferência externa e com o aparecimento da inteligência artificial, estão a pôr-se novos desafios sobre a segurança do voto, chamado voto eletrónico», afirmou Paulo Rangel. O ministro acrescentou que o Governo está a trabalhar nesta matéria, tendo em conta os riscos associados à evolução tecnológica. Na sua perspetiva, qualquer solução deverá garantir a segurança do processo e a fiabilidade dos resultados.

Eleições do CCP poderão servir de teste

Paulo Rangel apontou as eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), previstas para 2027, como uma oportunidade para testar o voto eletrónico e recolher informação sobre a forma de prevenir e enfrentar os riscos identificados. A eventual experiência-piloto poderá contribuir para avaliar as condições necessárias à utilização desta modalidade, embora não represente, por si só, uma decisão sobre a sua aplicação às eleições nacionais.

O ministro reconheceu que o voto eletrónico «facilitaria muito a vida a muita gente», em particular aos portugueses que vivem longe dos consulados ou dos locais de votação. Ainda assim, reforçou que a segurança e a fiabilidade do voto «deve ser sempre garantida».

O debate sobre a introdução do voto eletrónico entre os emigrantes portugueses continua, assim, marcado pela procura de um equilíbrio entre a simplificação da participação eleitoral e a proteção da integridade do processo democrático.

Publicidade