A seca prolongada que atinge a Europa central fez descer o caudal do Reno para níveis historicamente baixos, com repercussões diretas na Suíça. Segundo a Federação Alemã da Navegação Interior (BDB), o rio poderá mesmo, esta semana, deixar de ser navegável de forma contínua em território alemão e ficar «dividido em dois».

O ponto crítico situa-se em Kaub, na Renânia-Palatinado, entre Coblença e Mainz — uma referência essencial para a navegação e para a economia. Segundo a BDB, o nível da água naquele ponto deverá descer, pela primeira vez, abaixo dos 10 centímetros. O anterior mínimo histórico em Kaub, registado em 2018, tinha sido de 25 centímetros. Para uma navegação a plena carga, seriam necessários cerca de 77 centímetros.

Publicidade

A norte deste ponto, o tráfego fluvial deverá manter-se possível entre os portos de Roterdão, Amesterdão e Antuérpia e a região de Colónia, através da rede de canais. Mais a sul, a navegação poderá continuar em afluentes como o Neckar, o Meno e o Mosela. Mas a ligação contínua ao longo do Reno — que é a única via fluvial de acesso da Suíça ao mar — ficaria interrompida.

As consequências já chegaram aos consumidores suíços. Como os navios de carga não podem navegar a plena carga, os custos do transporte fluvial duplicaram ou triplicaram, refletindo-se no preço dos combustíveis. Cerca de um quarto dos combustíveis consumidos na Suíça chega ao país através do Reno. As autoridades garantem, no entanto, que o abastecimento não está em risco, graças às reservas obrigatórias e às alternativas de transporte ferroviário.

O fenómeno não se limita ao Reno. Vários rios europeus, como o Danúbio e o Pó, registaram igualmente níveis excecionalmente baixos, num verão marcado pela falta de chuva e pelas temperaturas elevadas — condições que os especialistas associam às alterações climáticas. Só uma mudança duradoura do tempo, com chuva significativa, poderá inverter a situação.

Publicidade