Três portugueses em maus lençóis após grave acidente

No dia 11 de outubro 2016, o pânico instalou-se numa obra, em Villars-le-Grand no cantão de Vaud, após duas paletes caírem em cima de um trabalhador. Gravemente ferido, o homem foi levado de helicóptero para o hospital de L’Isle em Berne, acabando por perder a vida ao final da tarde.

O responsável pelo grave incidente é um emigrante português de 54 anos que estava a manipular uma grua, sem ter qualquer certificação de gruísta. Antes da chegada dos socorros, o emigrante contactou um gruísta, também ele português, para lhe pedir que este se responsabilizasse pela má manobra, encobrindo-o. O seu pedido foi aceite.

Julgamento esta semana Esta terça-feira, no Tribunal du Nord vaudois, a procuradora Hélène Rappaz demonstrou a sua indignação com a atitude do gruísta português de 47 anos que “mentiu para proteger um colega e incriminou-se a si próprio”. Ao querer ajudar, o homem é acusado por induzir a justiça em erro e prejudicar uma ação penal.

Ele afirmou ter agido por altruísmo: “aceitei de maneira espontânea ajudar”. Se estivesse no seu lugar, teria apreciado ser apoiado.” Muito afectado pelo drama, o gruísta de profissão disse ainda: “mais que um colega de trabalho, perdi um amigo. À noite, depois do trabalho, íamos beber copos para Payerne”. Nos fins de semana, fazíamos grelhadas no nosso patrão.” Por sua vez, o autor do incidente é acusado de homicídio por negligência e de prejudicar a ação penal.

Patrão da empresa também faz parte dos acusados

Acusado igualmente de homicídio por negligência, o patrão da empresa, de 60 anos e também ele português, nega ter dado instruções para falsificar a origem do crime antes da vinda da polícia, afirmando: “vou a todas as obras duas ou três vezes por dia. Mas não posso estar em todo o lado. As minhas ordens foram sempre: sem certificação, sem máquina.”

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No passado, a empresa de construção já teve um acidente que provocou um ferido. Entre 2004 e 2016, a Suva constatou seis vezes que os empregados trabalhavam com gruas sem ter qualquer certificação. Na altura, um trabalhador acusou o patrão de forçar a utilizar a grua sem autorização legal.

O processo continuou, esta quarta-feira, com a presença da mãe e do irmão da vítima. A sentença será divulgada na próxima segunda-feira.

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