Trabalhar não é, para muitas famílias suíças, sinónimo de segurança financeira. Segundo novos dados apresentados pela Caritas, cerca de 360 mil pessoas empregadas não conseguem, com os seus rendimentos, assegurar as necessidades do agregado familiar. Quando são contabilizados os familiares que dependem desses rendimentos, o número de pessoas afetadas ultrapassa os 820 mil. A situação preocupa particularmente numa altura em que os prémios do seguro de saúde vão voltar a aumentar. As famílias com rendimentos reduzidos têm pouca capacidade para absorver despesas adicionais, sobretudo quando existem filhos. Cerca de 180 mil trabalhadores em risco de pobreza vivem num agregado com crianças. A falta de formação depois da escolaridade obrigatória, os salários baixos e a instabilidade dos horários são apontados como alguns dos fatores que aumentam a vulnerabilidade. Os trabalhadores por chamada ou pagos à hora enfrentam dificuldades acrescidas, tal como as famílias monoparentais, que têm de conciliar o emprego com os custos e a organização da guarda dos filhos. Para a Caritas, são necessárias medidas que permitam melhorar a estabilidade financeira destes trabalhadores. Entre as propostas estão um salário mínimo legal, horários mais previsíveis, maior apoio às famílias e bolsas que facilitem o acesso à formação contínua, incluindo ajuda para despesas de formação, perda de rendimento e cuidados infantis.

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