Justiça: Treze anos de prisão para homicida de Meyrin

Em junho de 2017, Daniel Henriques de 25 anos, emigrante e a residir em Genebra, foi assassinado por um segurança de nacionalidade suíça de 21 anos. O motivo do crime foi passional: ciúmes. Pois, a ex-namorada deste segurança, estaria a aproximar-se do português.

Esta semana, o jovem homicida suíço, que esmagou o seu rival português debaixo das rodas do seu carro, no parque de estacionamento do centro desportivo de Meyrin, foi considerado culpado de homicídio. Esta sexta-feira, dia 28 de agosto, o Tribunal criminal de Genebra condenou-o a 13 anos de prisão.

MP pedia 18 anos de prisão

O Ministério Público solicitou uma condenação por homicídio e uma sentença de 18 anos de prisão para o acusado.

Acontecimentos

Na noite dos acontecimentos, o suíço de 21 anos atropelou o novo namorado da sua ex-companheira, por quem ele estava obcecado e queria voltar a namorar. Depois de atingir Danny a mais de 50 km/h, o jovem suíço parou e passou por cima do corpo inerte do português. Ao longo de vários dias, o autor do crime já tinha vindo a demonstrar a sua vontade homicida. No dia 28 de maio 2017, esbofeteou o Daniel, natural das Caldas da Rainha. No dia 30 de maio, ele escreveu ameaças explícitas de morte contra ele nas redes sociais. Até à noite da tragédia, dia 8 de junho 2017, enviou inúmeras mensagens aos seus amigos sobre os seus desejos assassinos, chegando mesmo a descrever o modus operandi: “Vou esmagá-lo como uma velha m…. com o meu Seat”.

Intenção homicida comprovada

A presidente do tribunal, Brigitte Monti, depois de ter descrito longamente as relações de grupo e as tribulações amorosas do culpado, explicou que “nas horas que antecederam a tragédia, A. (homem suíço) elevou a intensidade. As ameaças de morte tornaram-se cada vez mais evidentes e precisas”. Dado o seu conteúdo e frequência, os juízes “convenceram-se de que antes de chegarem ao parque de estacionamento, A. tencionava matar” a vítima, o que ele contestou durante o seu julgamento. Porém, face às provas e aos factos, o tribunal não acreditou nele. “É de satisfação que A. tenha agido com intenção. Era para eliminar o seu rival, o que ele não podia fazer sem tirar a sua vida. A sua intenção homicida está provada, uma vez, que intencionalmente passou com o veículo por cima do corpo”. A mãe de Daniel não reconheceu o seu filho quando o viu no hospital, onde viria a falecer pouco depois da tragédia.

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Caso de amor

Os magistrados decidiram que o assassinato era uma circunstância agravante porque a pessoa condenada tinha demonstrado falta de escrúpulos, o maior desprezo pela vida dos outros e que o seu motivo era particularmente odioso. “Ele agiu por ciúmes para eliminar um rival quando, objetivamente, a relação (com a ex-namorada) era um caso de amor que tinha terminado há vários meses atrás. Ele agiu de forma egoísta para preencher uma ferida narcisista”.

Extrema cobardia

Sublinhando que a culpabilidade do arguido era “extremamente grave” e que ele tinha agido “com grande cobardia”, o tribunal considerou, no entanto, que a sua responsabilidade criminal era ligeiramente limitada na altura dos acontecimentos, à luz dos relatórios psiquiátricos. Para além da pena de detenção, A. terá de se submeter a tratamento psicoterapêutico “para reduzir o risco de reincidência”.
Justiça: Treze anos de prisão para homicida de Meyrin

 

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