A Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa, acolhe a 26 de outubro a apresentação de «Notre História», um projeto que documenta mais de seis décadas de presença portuguesa no cantão de Genebra, na Suíça. O encontro reúne testemunhos de emigrantes, investigadores e representantes institucionais para debater a evolução dos percursos migratórios entre os dois países, desde o exílio político e o trabalho sazonal até às novas formas de mobilidade.
Lançado em Genebra em março de 2026, o projeto propõe um percurso memorial de 12 etapas, acompanhado por um site multimédia, um jornal e uma série de podcasts. A iniciativa pretende preservar e divulgar a história da comunidade portuguesa, cruzando arquivos históricos, fotografias, testemunhos, paisagens sonoras e investigação académica. A última etapa do percurso, intitulada «Partir ou ficar?», situa-se simbolicamente em Lisboa e aborda uma das questões centrais da experiência migratória: o significado do regresso quando a vida foi construída entre dois países.
Um retrato da comunidade portuguesa
Promovido pelo Bureau de l’intégration et de la citoyenneté (BIC), do Departamento da Coesão Social da República e Cantão de Genebra, «Notre História» dá visibilidade à segunda maior comunidade estrangeira do cantão. Ao longo de 12 lugares, o projeto conta histórias de trabalhadores da construção civil, exilados políticos, estudantes, famílias, associações, escolas de língua portuguesa e profissionais que hoje circulam entre Portugal e a Suíça.
«Queríamos tornar visível uma história que faz parte da identidade de Genebra, mas que muitas vezes permanece dispersa na memória das pessoas e dos lugares», afirma Valerio Simoni, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e um dos organizadores do encontro. O investigador sublinha que a migração portuguesa deixou marcas profundas na cidade e continua a influenciar as relações entre os dois países.
Do sonho do regresso às novas mobilidades
A transformação dos percursos migratórios será um dos temas centrais da iniciativa. Antes do 25 de Abril de 1974, Genebra acolheu opositores ao regime do Estado Novo. Nas décadas seguintes, milhares de trabalhadores sazonais partiram para a Suíça com a intenção de regressar rapidamente a Portugal. Atualmente, os percursos são mais diversificados, com muitas pessoas a repartirem a vida entre os dois países e a enfrentarem decisões sobre onde viver e envelhecer.
Liliana Azevedo, socióloga do CIES-Iscte, investigadora associada do Observatório da Emigração e moderadora de uma das mesas-redondas, destaca a complexidade do regresso. Segundo a investigadora, as decisões são influenciadas por fatores como a família, o trabalho, o custo de vida e o envelhecimento.
Testemunhos e debate em Lisboa
A sessão de abertura contará com intervenções de Valerio Simoni, Mónica Truninger, Elsa Pegado, Laurentina Pereira, da Câmara Municipal de Lisboa, Idália Ribeiro, da Câmara Municipal de Castro Daire, Lukas Gasser, embaixador da Suíça em Portugal, e Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
Às 17h15, a mesa-redonda «Exilados, estudantes e saisonniers em Genebra» contará com os testemunhos de Ana Benavente e Lucília Salgado, numa conversa moderada por Liliana Azevedo. Pelas 18h15, a sessão «Dos saisonniers à nova migração portuguesa: regressos e circulações» reunirá José Carlos Marques, do Instituto Politécnico de Leiria, Nazaré Torrão, da Universidade de Genebra, e Sofia Loureiro, do Gabinete de Apoio ao Emigrante de Castro Daire. A moderação ficará a cargo de Valerio Simoni. O encontro termina às 19h15 com um momento de convívio.
Serviço
Evento: «Notre História – Migração portuguesa em Genebra e na Suíça». Data: 26 de outubro de 2026. Horário: 16h15–19h45. Local: Biblioteca Palácio Galveias, Campo Pequeno, Lisboa. Entrada livre.
