Português julgado por aterrorizar a ex-mulher

Tribunal criminal de Lausanne onde vão decorrer as audiências na quarta-feira e na quinta-feira. Foto: Keystone

“Nunca te esqueças que tu cavaste o teu buraco”; “Eu juro-te que não verás mais teus netos, eu acabarei contigo para sempre”; “Pelo mal, eu vou te derrotar”; “Tudo farei para te matar”; ” Não farás 60 anos, eu prometo-te”; “Eu te destruirei e não vai demorarar muito”; “Podes começar a contar os teus dias que ainda tens para viver”; “A tua mãe, se em breve não me dá mais nenhum sinal, eu a mato-a na frente do teu filho (mensagem para a filha da ex mulher)”.

510 mensagens e 680 telefonemas

Estas frases ameaçadoras surgem nas 510 mensagens enviadas por um português de 61 anos – às vezes até 30 por dia – à sua ex-mulher entre o 13 de janeiro de 2017 e 28 de abril de 2017. Sem contabilizar ainda as 680 chamadas perdidas. O homem também intimidou a sua filha. Segundo a acusação do procurador Julien Aubry e as declarações da mulher, o casal que os dois sexagenários formavam desde a primavera de 2012 foi rapidamente se desfeito. Várias vezes, a vítima teria tentado se separar e teria sido enganada pelas manobras de manipulação.

Antecedentes com sua ex-mulher

Durante o relacionamento, o emigrante foi detido durante quatro meses entre fevereiro e junho de 2014 no cantão de Vaud. Ele já tinha aterrorizado a sua ex-mulher, proferindo ameaças contra ela. O homem havia retornado a Portugal, em outubro de 2015, antes do início do seu julgamento. As duas partes continuaram então a relação à distância e a mulher foi para Portugal. Farta da situação, ela decidiu se separar definitivamente em janeiro de 2017 quando já se encontrava de novo na Suíça. O homem não aceitou a separação e voltou viver para Lausanne. Desde esse momento, começou a ofender ainda mais a sua ex-mulher

“Para ti, acabou hoje”

No dia 2 de Fevereiro de 2017 por volta das 17h30, conforme foi declarado pelo procurador Aubry no seu pedido de expulsão, o homem teria esperado a ex-mulher perto de sua casa em Lausanne e entrou lá dentro sem a sua autorização, projectando-a contra uma parede. Ele teria trancado a porta do apartamento, pegado nas chaves e no telemóvel. Ele empurrou-a então em direcção ao quarto e apertou-lhe o pescoço, Ele disse-lhe que tudo ia acabar para ela e que não ia sair mais do seu apartamento. Enquanto ele a segurava, ele arrastou-a para o salão. Muito zangado, ele deu-lhe um soco no peito dizendo: “Para ti, acabou hoje, vou te cortar em quatro pedaços”.

Aterrorizada, ela deixa-se violar

Temendo pela sua vida, a sexagenária não teria escolha a não ser obedecer a quem a sequestrou. Para acalmá-lo, saíu para lhe comprar um pouco de álcool. Ele avisou-a: “Se tu fizeres alguma coisa para me denunciar a alguém, eu tenho algo no bolso e mato-te já”. Por volta das 22h30, o homem obrigou-a a telefonar para um colega, que vinha buscá-la para ir trabalhar, para ela o informar que ela não iria trabalhar. Na hora de ir dormir, a mulher, com medo de ser agredida ou retaliada deixou que o emigrante a toca-se, beija-se, acaricia-se ao ponto de ele a violar sem que ela se defende-se. Abusada.

Fugida para Portugal

Na manhã seguinte ou seja no dia 3 de fevereiro de 2017, a mulher sofria de dores no peito e pediu para ir ao médico. Os dois foram então ao Centro medical de Vidy. Ela aproveitou a oportunidade de ficar sozinha durante um raio-x para ligar para à filha. A mulher pediu ao homem para ficar na sala de espera, que rapidamente compreendeu o que se estava a passar e fugiu. A polícia tinha sido alertada. O homem foi à casa de sua ex-mulher, entrou sem autorização e pegou nos seus pertences para colocar dentro da sua mala antes de fugir para Portugal.

Forçada a mudar de casa

Três meses depois, no 27 de abril de 2017, o homem voltou ao endereço de sua ex-mulher em Lausanne. Entretanto, a mulher foi forçada a mudar o seu estilo de vida de casa. Diante de um apartamento vazio, ele esperou até à manhã seguinte para ir à casa da sua filha, tentando entrar sem auutorização na casa dela na zona de Lausanne e forçando a fechadura. Avisadas, as autirdades suíças poderam interpelar o homem em fuga pouco depois.

Parafernália sinistra na sua mala

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Na sua mala, os investigadores encontraram um saco de plástico com duas cintas de 1.5 m de comprimento, um laço de 80 cm, uma corda do mesmo tamanho, um rolo adesivo de 5 cm de largura e um par de luvas novas de jardinagem. De acordo com o Procurador, existe todas as razões para acreditar que o indivíduo estava a preparar para tentar matar a sua ex-mulher, ou pelo menos para sequestrá-la novamente. Detido desde do 28 de abril de 2017, o português vai ter que responder por estupro, coerção e sequestro, actos preparatórios para assassinato, ameaças e danos corporais simples.

Artigo: Evelyne Emeri

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