Um joalheiro relojoeiro de 68 anos foi vítima de uma violenta agressão à porta de casa, no bairro das Charmilles, em Genebra, a 4 de setembro. Dois homens encapuzados e com luvas surpreenderam-no quando saía do apartamento, pouco depois das 9h30, para se dirigir ao estabelecimento comercial, na zona da Servette.

Um dos assaltantes começou por lhe desferir vários murros. A vítima, que tem problemas de audição e utiliza um aparelho auditivo, caiu ao chão. O agressor imobilizou-a e tapou-lhe a boca e o nariz com as mãos, dificultando-lhe a respiração. «Pensei que ia morrer», contou o homem aos investigadores. A agressão prolongou-se por cerca de 15 minutos.

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Apesar de ter tentado defender-se, mordendo o dedo do atacante, e de ter conseguido levantar-se para fugir, o joalheiro acabou por ser levado novamente para dentro de casa, onde voltou a ser agredido. Perdeu três dentes e sofreu um ferimento na cabeça que exigiu 16 pontos de sutura.

Enquanto um dos homens o atacava, o cúmplice revistava a habitação. Os assaltantes procuravam ouro que acreditavam estar guardado num cofre. Segundo o relatório policial, terão fugido, pelo menos, com uma chave, perfumes e a carteira da vítima.

Um amigo e cliente entre os suspeitos

Cinco dias depois, dois suspeitos, identificados como C. e D., foram detidos. A análise ao telemóvel de D. permitiu aos investigadores chegar a um terceiro homem, identificado no processo pelo nome fictício de Aldo, de nacionalidade portuguesa. Aldo, que gere uma empresa de táxis e vive na Suíça há cerca de 20 anos, era simultaneamente amigo e cliente da vítima. Segundo os depoimentos recolhidos, terá falado aos alegados cúmplices sobre a existência de metais preciosos e de um cofre na posse do joalheiro.

Os dois homens suspeitos de terem executado o assalto, que tinham chegado a Genebra no mês anterior acompanhados por um cidadão albanês, apontaram Aldo como possível instigador. Um deles descreveu-o como um homem europeu, com cerca de 50 a 55 anos, aproximadamente 1,70 metros de altura e de constituição robusta.

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Os investigadores suspeitam ainda que Aldo terá entregado a D., a 2 de setembro, uma chave dos Serviços Industriais de Genebra (SIG), que poderia funcionar como uma espécie de chave-mestra. Um dos outros arguidos afirmou ter ouvido que o português receberia 20% do eventual saque.

Português nega envolvimento

Ouvido a 9 de setembro, após a detenção, Aldo negou ter participado no planeamento do assalto. Como álibi, afirmou que, no dia dos factos, tinha ido apanhar cogumelos no Jura com um amigo. O português admitiu ter entregue a chave a D., mas alegou que o fez perante a insistência deste. Disse que a tinha encontrado anteriormente no chão e que acreditava que o homem poderia utilizá-la para assaltar o joalheiro na rua ou furtar o estabelecimento comercial, sem imaginar que a situação pudesse culminar numa agressão tão violenta.

Aldo reconheceu também que, meses antes, D. lhe tinha perguntado onde poderia comprar ouro. Nessa ocasião, levou-o à loja da vítima, que descreveu como um grande amigo com quem almoçava regularmente. Contudo, garantiu que nunca lhe revelou a morada particular do joalheiro. A vítima teve dificuldade em reconhecer formalmente Aldo numa série de fotografias apresentada pela polícia, apesar de o conhecer e de, por vezes, tomar café com ele.

Prisão preventiva e risco de conluio

A Câmara Penal de Recurso de Genebra considerou existirem suspeitas suficientes de que o português terá contribuído para a preparação do plano criminoso. A prisão preventiva foi prolongada até 9 de dezembro, perante o risco de fuga e, sobretudo, de conluio com outros envolvidos que ainda não tinham sido detidos.

Na avaliação do risco de fuga, os magistrados tiveram em conta os laços de Aldo com Portugal. O processo refere ainda antecedentes criminais: em 2016, foi condenado por furto e violação de domicílio, com penas de multa diária suspensas. Em 2023, recebeu uma pena de três anos de prisão, dos quais seis meses de cumprimento efetivo, num processo relacionado com droga.

A defesa do suspeito está a cargo da advogada Férida Bejaoui Hinnen. O processo reúne agora cinco arguidos, tendo decorrido uma audiência na quarta-feira, na sequência de novas detenções. Os suspeitos encontram-se em prisão preventiva na cadeia de Champ-Dollon, em Genebra, enquanto prosseguem as investigações.

O advogado do joalheiro, Quentin Prongué, descreveu o ataque como uma agressão de extrema violência, motivada pela ganância. Segundo o causídico, a vítima, uma pessoa sem antecedentes de conflitos e estimada por quem a conhece, continua profundamente traumatizada e espera conseguir recuperar do sucedido.

Uma série de assaltos violentos na região

O caso surge num contexto de vários assaltos violentos na região de Genebra, incluindo roubos de relógios de luxo e invasões de residências. Entre os processos recentes encontra-se um assalto ocorrido a 1 de janeiro, em Satigny, quando um grupo armado e encapuzado invadiu uma moradia durante a passagem de ano. Seis jovens foram mantidos sob ameaça e sujeitos a violência, incluindo ameaças de morte com armas de fogo. Os assaltantes procuravam 100 mil francos num cofre, mas fugiram com alguns milhares de francos, joias, telemóveis e equipamento informático. Durante o verão, foram detidos seis suspeitos, dois deles menores, enquanto um sétimo cúmplice continua procurado.

O assalto das Charmilles recorda ainda dois casos anteriores. No final de 2023, um joalheiro foi atacado em casa, em Malagnou, amarrado e levado para França, onde acabou por ser libertado. Os assaltantes levaram uma coleção de joias e um relógio avaliado em 80 mil francos. Em setembro de 2025, um empresário do setor imobiliário foi também vítima de uma invasão domiciliária em Genebra. Três homens armados ameaçaram a família e roubaram relógios cujo valor rondava os cinco milhões de francos. Uma nova tentativa, a 7 de novembro do mesmo ano, acabou por ser frustrada graças à intervenção da polícia e da segurança privada.

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