O grupo Lufthansa, um dos principais grupos de transporte aéreo da Europa, anunciou esta quinta-feira, 15 de outubro, que pretende adquirir, a prazo, a totalidade do capital da TAP Air Portugal, depois de ter recebido autorização do Governo português para avançar com uma participação minoritária na companhia.
A Lufthansa já reúne várias transportadoras europeias sob a sua alçada, entre as quais a SWISS, a companhia aérea suíça, além da Lufthansa, Eurowings, Brussels Airlines e Austrian Airlines. O grupo detém ainda 41% da italiana ITA Airways.
«Um investimento minoritário geralmente não corresponde à nossa estratégia», afirmou o presidente executivo da Lufthansa, Carsten Spohr, durante uma conferência com analistas. Na quarta-feira, o grupo alemão venceu a corrida à privatização parcial da TAP, superando a proposta do grupo franco-neerlandês Air France-KLM.
A operação prevê que a Lufthansa adquira, em 2028, uma participação de 44,9% no capital da transportadora portuguesa, por 1,025 mil milhões de euros, sujeita às autorizações regulamentares necessárias. Outros 5% estão reservados aos trabalhadores, pelo que a participação alemã poderá chegar aos 49,9%, dependendo da adesão dos funcionários.
Lufthansa admite controlo total
Carsten Spohr revelou que o grupo apresentou ao Governo português uma proposta não vinculativa para assumir uma participação maioritária ou mesmo a totalidade da TAP. A proposta prevê também a possibilidade de reservar uma parte do capital aos trabalhadores, estando as negociações ainda em curso.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, afirmou na quarta-feira que o Governo admite, numa segunda fase, até 2028, trocar a participação remanescente do Estado na TAP por uma participação de até 5% no capital da Lufthansa, de acordo com a proposta alemã.
O grupo segue há cerca de duas décadas uma estratégia de aquisição de transportadoras nacionais. Entre as operações anteriores encontram-se a aquisição da SWISS, após a falência da Swissair, a integração da Austrian Airlines e, mais recentemente, a entrada no capital da ITA Airways.
Reforço das ligações à América do Sul
Carsten Spohr classificou a TAP como a primeira companhia rentável adquirida na história do grupo, considerando que a operação poderá criar valor imediato para os acionistas e gerar até 450 milhões de euros em sinergias líquidas anuais.
A aquisição permitirá à Lufthansa reforçar a sua presença na América do Sul, sobretudo no Brasil, mercado onde a TAP beneficia de ligações históricas. Segundo o responsável, a operação poderá elevar a quota de mercado do grupo na região de 9% para cerca de 20%.
